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08/03/2004 23:06
:: Danieletrônica para o mundo sambar ::
Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar - Daniela Mercury, 38 anos, parece concordar com a frase (óbvia, mas esperta) de Chico Science (1966-1997). Desde Feijão com arroz (1996), a discografia da cantora e compositora baiana tem sido marcada pela tentativa de harmonizar mercado e novas experiências.Às vezes, ela acerta. Outras, nem tanto. Mas isso é parte do jogo de quem não se acomoda e busca reinventar-se (a reinvenção é o alimento básico da cultura pop). Então, depois do fracasso comercial do MTV ao vivo - Eletrodoméstico (2003), Daniela bebe de vez a sua porção eletrônica no álbum Carnaval eletrônico (BMG).Na companhia de Carlinhos Brown (responsável pelo hit e primeiro single, Maimbê dandá), Gilberto Gil, Lenine e de DJs e produtores experientes do país (Memê, Ramilson Maia, Anderson Noise, Bid, Renato Lopes, XRS, Marcelinho da Lua, Zé Pedro, etc), a artista levou para o estúdio a pioneira experiência do seu trio eletrônico no Carnaval da Bahia. Em 2000, quando Daniela Mercury estreou o trio eletrônico no circuito Barra/Ondina, mesclando samba reggae e DJ, a recepção foi fria. Algumas pessoas chegaram a vaiar a experiência. De lá para cá, porém, a axé music implodiu como segmento musical nacional importante e o folião baiano reaprendeu a conviver com a pluralidade."Como no trio eletrônico, estamos fundindo drum´n´bass, house, tecno, lounge, dub com ritmos brasileiros (samba reggae, bossa, galope, samba, ijexá) e com nossas vozes e criando faixas originais. As palavras de ordem são criatividade, swing e liberdade. Tudo é permitido para esses artistas das pistas que, junto com os cantores, balançam a multidão...", fala Daniela sobre o disco.É verdade que, em 2004, quando a mescla de ritmos brasileiros e eletrônica já foi banalizada (e a própria cultura clubber vive uma grande crise, em Londres, sua sede), Carnaval eletrônico não tem o mesmo impacto que teria se houvesse sido lançado em 2002. Mas isso não diminui o mérito da proposta e a sua boa realização.Além de Maimbê dandá (prima de Dandalunda, também de Brown, sucesso de Margareth Menezes em 2003), o disco tem pontos altos em Que baque é esse (produzida por Marcelinho da Lua e com canja vocal do autor, Lenine), Quero ver o mundo sambar (produção de Renato Lopes), a house O canto da rainha (por Memê), A tonga da mironga do kabuletê (clássico de Vinicius e Toquinho, com toque bossa lounge de Ramilson Maia) e a seqüência Charles Ilê (Brown), a techno Ago lonan (Anderson Noise) e Quero voltar para a Bahia (pérola de Paulinho Diniz com arranjo de Hugh).
Fonte: Correio da Bahia
enviada por Portal Daniela
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